Carlos Menem era o
Presidente da República Argentina quando Domingo Cavallo, seu Ministro da
Economia, anunciou o Plano de Conversibilidade, onde 1 Peso Argentino valeria
US$1,00, dando início à tão aclamada crise, que sonda o país desde 1991.
Implementando uma
política arriscada de pareamento do peso argentino ao dólar americano, Menem a
princípio atraiu investimentos externos e levantou a espectativa nacional. No
entanto, como diversos especialistas haviam se atentado, o resultado foi
reverso, gerando dívidas e colocando o país em uma profunda crise econômica.
Pode ser tratado como dois dos principais motivos, da entrada argentina à crise,
as dificuldades que passavam o México e os Tigres Asiáticos, e o fato de o
Brasil ter desvalorizado o real frente ao dólar, exportando por preços mais
acessíveis como consequencia.
É fato que, uma política
gananciosa como o emparelhamento do peso ao dólar americano, não iguala também,
de modo geral, os produtos argentinos aos norte-americanos; mantém-se o mesmo
preço por mercadorias inferiores.
Não obstante, em 2001,
o então presidente Fernando de la Rúa anuncia a moratória de sua dívida, e
passa o restante desse ano negociando e se aprofundando nela, dando resultado à
manifestações e repressões populares (devido, principalmente, ao bloqueio do
governo às contas bancárias da população para negociar os US$100 bilhões que
devia), que faz com que De la Rúa renuncie e outros 5 presidente passem pelo
poder em 12 dias.
Eduardo Duhalde assume
o poder, e anuncia a desvalorização do peso em 2002 que, apesar de ter gerado
situações controvérsias (como a fuga de capitais), alivia a crise e traz a Argentina
para uma posição mais favorável e próxima ao eixo, ainda que não
necessariamente alinhada.
No entanto, a dívida se
mantem no cenário externo e interno, e as negociações com os populares não
surtem o efeito esperado - já que poucos concordam em receber apenas uma parte
(muito inferior) do que “emprestaram”. Por esse e (não sejamos ingênuos) outros
motivos, Instituições Norte-Americanas assumem a dívida do governo argentino,
negociando diretamente com os cidadãos, para posterior acordo com o país.
O governo da Argentina
é posto em uma situação delicada, em que deve negociar com agências americanas
uma dívida que possuía com sua própria população. Várias propostas e tentativas
de acordo foram feitas, porém sem sucesso.
A maior proposta, até
então, é feita por Nestor Kirchner, que assume a Presidência em 2003, que também
vê seu acordo recusado pelos chamados “Fundos Abutres” - vindo a ser aceita
apenas em 2004 com desconto de 75% e taxas mais altas.
Hoje a encarregada das
negociações e quitação da dívida é Cristina Kirchner, que se fez obrigada a
trocar o Presidente do Banco Central do país, e viu ser rejeitado um depósito
de US$1 bilhão, para um credor que recebia em parcelas, pela Justiça dos EUA,
alegando que deve ser pago primeiramente àqueles em que o acordo inicial era o
pagamento integral.
Preocupantemente,
outros países já começaram a pagar pela Argentina. O Brasil sofreu recentemente
as consequências da crise que assombra seu 3º maior parceiro comercial, levando
uma queda brusca nas exportações de automóveis no primeiro semestre deste ano.
O Uruguai foi também afetado nas exportações de artigos têxteis, papéis e
eletrodomésticos, e teme pela queda do turismo de argentinos no país. O Chile é
também alertado quanto à comercialização de utensílios domésticos, embora os
chilenos não acreditem em riscos advindos da Argentina.
De todo modo, espera-se
que a crise argentina se resolva logo, antes que se transforme em uma epidemia.
Yuri Bruns
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