No ano de 2007, com 56% de popularidade e aproximadamente 45%
dos votos, Cristina Kirchner se tornou a primeira presidente mulher eleita na
Argentina. O alto índice de popularidade surpreendeu os empresários e eleitores
nacionais, mesmo considerando a credibilidade que, de certa forma, foi
apropriada do marido, Néstor Kirchner.
Passados seis meses da eleição, este surpreendente
índice cai bruscamente, alcançando 20% do eleitorado argentino. O principal
argumento de tamanha queda é a insatisfação da população rural e agropecuária,
devido à tributação excessiva para comercialização desses produtos.
Com maior ênfase no ano de 2008, o setor
agropecuário se manifesta arduamente em oposição às medidas de governo,
mantendo o índice de aprovação da Presidente em baixa. O fato é que o
desentendimento entre o setor agropecuário e a Presidente Kirchner se estende
até a atualidade, enquanto a eleição de 2016 é ansiosamente aguardada pelos
ruralistas.
Não obstante, Kirchner enfrenta rumores e pressões
sociais e midiáticas a respeito da pobreza no país, que surge com aumento
oscilante entre 30% e 40% em 2009 (segundo consultorias econômicas e sindicatos
não alinhados com o governo, como a CTA - Central dos Trabalhadores Argentinos).
Índice que obscurece e diminui ainda mais a credibilidade do seu governo.
Em 2011 aconteceriam as eleições, e não é difícil
(ou evitável) relacionar as medidas como os investimentos do governo nas áreas
de direitos humanos, na macroeconomia e nos direitos da criança e adolescente,
atribuídas no final de 2010, a estratégias políticas eleitorais.
Entre a morte de Néstor e essas medidas, de certo
modo, abrangentes, a popularidade de Cristina é elevada a 57% neste ano,
garantindo a reeleição no ano seguinte com margem superior a 53% dos votos,
atingindo o melhor desempenho nas eleições presidenciais da Argentina desde a
redemocratização da República.
Parece que desentendimentos setoriais e índices
contestáveis talvez não sejam suficientes para abalar a intimidade que os
argentinos possuem com a presidente e a comoção e confiança herdada de Néstor
Kirchner. Sem contar com a oposição, que se faz pequena.
De todo modo, em 2012, uma pesquisa conduzida pela
revista argentina Management & Fit atribui 42,1% de aprovação popular ao
governo Kirchner, apontando mais uma queda considerável. Em 2013, 46,5% aprovou
seu governo, e em 2014, apenas 25%.
Com sua reputação cada vez mais deteriorada, no
mês passado, agosto de 2014, Cristina chega a associar a crise argentina com o
baixo crescimento do Brasil, demonstrando fragilidade e alta dependência sobre
a economia brasileira.
É fácil notar que a popularidade da Presidente
cresce apenas quando o vento sopra a favor: Não se implanta políticas efetivas
de longo prazo, mantém-se o setor agropecuário descontente por pagar caro e ser
incapaz de comercializar em larga escala, enquanto, ironicamente, culpa seu
principal parceiro comercial pela crise doméstica.
Não é, de fato, simples resolver a crise econômica
atual na Argentina. Mas direcionamento e seriedade podem facilitar o processo.
Ou talvez tenha sido apenas um grande depósito de confiança à pessoa errada, no
momento errado.
Yuri Bruns. 121623-6
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