sexta-feira, 26 de setembro de 2014

No ano de 2007, com 56% de popularidade e aproximadamente 45% dos votos, Cristina Kirchner se tornou a primeira presidente mulher eleita na Argentina. O alto índice de popularidade surpreendeu os empresários e eleitores nacionais, mesmo considerando a credibilidade que, de certa forma, foi apropriada do marido, Néstor Kirchner.

Passados seis meses da eleição, este surpreendente índice cai bruscamente, alcançando 20% do eleitorado argentino. O principal argumento de tamanha queda é a insatisfação da população rural e agropecuária, devido à tributação excessiva para comercialização desses produtos.

Com maior ênfase no ano de 2008, o setor agropecuário se manifesta arduamente em oposição às medidas de governo, mantendo o índice de aprovação da Presidente em baixa. O fato é que o desentendimento entre o setor agropecuário e a Presidente Kirchner se estende até a atualidade, enquanto a eleição de 2016 é ansiosamente aguardada pelos ruralistas.

Não obstante, Kirchner enfrenta rumores e pressões sociais e midiáticas a respeito da pobreza no país, que surge com aumento oscilante entre 30% e 40% em 2009 (segundo consultorias econômicas e sindicatos não alinhados com o governo, como a CTA - Central dos Trabalhadores Argentinos). Índice que obscurece e diminui ainda mais a credibilidade do seu governo.

Em 2011 aconteceriam as eleições, e não é difícil (ou evitável) relacionar as medidas como os investimentos do governo nas áreas de direitos humanos, na macroeconomia e nos direitos da criança e adolescente, atribuídas no final de 2010, a estratégias políticas eleitorais.

Entre a morte de Néstor e essas medidas, de certo modo, abrangentes, a popularidade de Cristina é elevada a 57% neste ano, garantindo a reeleição no ano seguinte com margem superior a 53% dos votos, atingindo o melhor desempenho nas eleições presidenciais da Argentina desde a redemocratização da República.

Parece que desentendimentos setoriais e índices contestáveis talvez não sejam suficientes para abalar a intimidade que os argentinos possuem com a presidente e a comoção e confiança herdada de Néstor Kirchner. Sem contar com a oposição, que se faz pequena.

De todo modo, em 2012, uma pesquisa conduzida pela revista argentina Management & Fit atribui 42,1% de aprovação popular ao governo Kirchner, apontando mais uma queda considerável. Em 2013, 46,5% aprovou seu governo, e em 2014, apenas 25%.

Com sua reputação cada vez mais deteriorada, no mês passado, agosto de 2014, Cristina chega a associar a crise argentina com o baixo crescimento do Brasil, demonstrando fragilidade e alta dependência sobre a economia brasileira.

É fácil notar que a popularidade da Presidente cresce apenas quando o vento sopra a favor: Não se implanta políticas efetivas de longo prazo, mantém-se o setor agropecuário descontente por pagar caro e ser incapaz de comercializar em larga escala, enquanto, ironicamente, culpa seu principal parceiro comercial pela crise doméstica.


Não é, de fato, simples resolver a crise econômica atual na Argentina. Mas direcionamento e seriedade podem facilitar o processo. Ou talvez tenha sido apenas um grande depósito de confiança à pessoa errada, no momento errado.


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